Decisões éticas e comunicação interna: nunca foi tão importante cuidar do outro

Como empresas podem atuar para preservar sua reputação em tempos de crise?

*Por Damaris Lago CEO da AtitudeCom

Close up portrait of a crying woman with bruised skin and black eyes at studio. The concept of protection from violence

O ano de 2020 mudará o rumo do mundo para sempre e a forma de gerenciar
empresas e pessoas, igualmente. A história tem nos ensinado que maus momentos
podem chegar, inesperadamente, mas o que estamos vivenciando nestes dias, com o
avanço do novo coronavírus, jamais poderíamos imaginar.
Dentro das empresas, no ambiente corporativo, mesmo que este seja on-line, por ora,
a comunicação interna, ou seja, aquela voltada para os colaboradores, entrou para o
topo das preocupações da maioria dos gestores e precisou caminhar ao lado de
planilhas de redução de custos e negociações com fornecedores, entre tantas outras
tomadas de decisões.


A verdade é que a comunicação interna é sempre ressuscitada nos casos de
gerenciamento de crise. São raras as empresas que mantém canais de comunicação
ativos com seus colaboradores e de forma empática, principalmente já prevendo
reduzir os efeitos negativos em caso de grandes crises. E acredite, elas vêm sem avisar.
Mas a situação que vivemos hoje vai muito, mas muito mais além. Porque não se trata
de problemas isolados, e sim de uma crise global sem precedentes em todas as
esferas. De repente, quase todo mundo perdeu o chão e não há pra onde correr; a
crise já atingiu ou vai atingir todo mundo, de diferentes formas. O fato é que ninguém
mais será o mesmo, pelo menos por um bom período. E como superar este clima nos
ambientes corporativos e manter a saúde mental e bem-estar dos colaboradores sem
que as marcas percam sua reputação?


A atuação ponderada de líderes, nunca foi tão vital para a sobrevivência saudável de
marcas e para unir o time afim de conseguir adesão às tomadas de decisão e conter os
impactos negativos do novo coronavírus. Neste processo, a comunicação interna,
elaborada de forma transparente, mas equilibrada, será o grande diferencial de
algumas empresas mais preparadas, independente do seu tamanho. Em pânico as
pessoas já estão. Então como amenizar o estresse, a ansiedade e o medo diante de
tantas incertezas?


Muitos gestores acabam se preocupando mais com as ferramentas que precisam usar
para comunicar decisões, do que como dar as notícias ruins que impactarão a vida das
pessoas de forma tão intensa. De alguns dias pra cá, muitos líderes se viram
completamente impotentes na condução destes temas para alcançar engajamento e
espírito de cooperação sem deixar sequelas que só o tempo dirá quais serão os seus
efeitos. Nessa missão, líderes devem ter consciência que a compreensão do todo tem que vir
sempre do topo para baixo, do lado mais forte para o mais fraco. É preciso, mais do
que nunca, enxergar o outro e entender suas preocupações e angústias. As
mensagens, neste sentido, têm que promover lucidez. Não é difícil ver pessoas histéricas e aterrorizadas diante dos últimos acontecimentos. Por isso, as mensagens
devem ser claras e objetivas, porém sempre humanas. De nada adianta mostrar
apenas as dificuldades da empresa sem pensar em soluções que possam
verdadeiramente ajudar cada um. Neste processo, o engajamento dos líderes é
essencial para que o time entenda e aceite todos os aspectos e decisões, desde que
tudo faça sentido, e isso significa atuar com ética e responsabilidade.
Por outro lado, é exatamente neste tipo de situação, que os líderes identificarão
verdadeiros parceiros em que podem confiar e, da mesma forma, identificar
sabotadores e tirá-los da linha de frente, se assim estiverem.


A partir do momento que alguém faz a escolha de se tornar um empresário ou líder,
ele opta, também, pela responsabilidade de cuidar do outro. O capital humano sempre
será o mais relevante para empresas que querem construir histórias de sucesso com
dignidade. E este é único caminho apontado, a curto prazo, para conquistar as novas
gerações e uma humanidade que grita por justiça.

Já se sabe que a comunicação interna melhora o clima organizacional, diminui a taxa
de rotatividade e inibe boatos. Mas o olhar, hoje, precisa ser mais amplo. O momento
pede para que nos coloquemos no lugar do outro com um alto nível de compreensão e
solidariedade. A recuperação de cada um de nós, sem exceção, é a própria
recuperação do mercado. A saúde financeira das empresas nunca esteve tão atrelada a
saúde de cada colaborador. Por isso, optar pela ética é indispensável para manter a
reputação de marcas. Seja o que for que os líderes precisem dizer agora, se tornará um
compromisso. Afinal, verdades sempre vêm à tona.

A AtitudeCom é uma agência de comunicação especializada em comunicação interna
e gerenciamento de crise

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