Você é fake?

Mais importante do que qualquer técnica de posicionamento é ser você mesmo – na internet ou fora dela

Existem diversas técnicas e sugestões que podem ajudar você a se comunicar melhor na internet e ao vivo. Mas não se iluda. Nenhum recurso é mais poderoso ou fará efeito sem uma arma legítima e intransferível que você já tem: sua autenticidade.

Apenas seguir sugestões e técnicas de especialistas não vai lhe garantir a consistência que você precisa para ganhar a confiança e o interesse das pessoas. Muitas vezes, seguir fórmulas gera o efeito inverso e acaba transformado você em uma persona que não corresponde ao que os outros enxergam na realidade. Com isso, fatalmente, você se torna fake; uma imagem nas redes sociais que não se sustenta de perto nem ao longo do tempo, já que credibilidade está diretamente ligada a autenticidade.

Ser autêntico é basicamente ser você mesmo. Isso, por si só, já o diferencia de qualquer pessoa. Porém, faço uma ressalva: seja você mesmo, mas na sua melhor versão. Afinal, por que você compartilharia com o mundo o que não gosta em si mesmo?

Minha sugestão é: mostre ao mundo o que você tem de melhor. O seu melhor conteúdo. O seu melhor ângulo.

O que as dicas de especialistas podem fazer é ajudar você a escolher que partes da sua verdade quer mostrar para sua audiência – e como fazer isso sem perder a espontaneidade. Dentre tudo o que você é de fato, encontrar os pontos fortes para criar uma estratégia de posicionamento de sua marca pessoal.

Compartilho a seguir alguns dos princípios que podem ajudar você a encontrar a sua melhor versão de si mesmo.

Autoaceitação

Para identificar seus pontos fortes, primeiro você precisa de coragem para encarar suas fragilidades. Seus medos e travas. Muitas vezes, criamos uma imagem de nós mesmos que diz mais sobre quem queremos ser do que sobre quem somos de fato.

É preciso aceitar, por exemplo, que se está nervoso antes de subir no palco. Vejo muitas pessoas perdendo a credibilidade por terem assumido uma arrogância que leva a audiência a concluir que elas não sabem do que estão falando. E isso pode ser apenas resultado da resistência em admitir que se está nervoso.

Ao identificar uma barreira interna – como o nervosismo –, abrem-se suas perspectivas. Você pode trabalhar os pontos em que precisa melhorar. E poderá ser autêntico, em vez de fingir estar sentindo algo diferente do que está.

Autocomunicação

Tudo o que acontece em nossas vidas, acontece duas vezes. Primeiro, em nossa mente. Depois, na vida real. Esse processo é o da comunicação mental, consigo mesmo – que eu chamo de autocomunicação. É o seu diálogo interno.

Este diálogo é sempre a maior concorrência para um palestrante ou um influenciador digital, que tenta capturar a atenção de sua audiência. Um pensamento é capaz de desviar o foco da pessoa. Levá-la ao WhatsApp ou a lembrar no compromisso que tem a seguir. A autocomunicação acontece o tempo todo, a maior parte dele de forma inconsciente.

Meu convite aqui é para que você comece a conduzir sua autocomunicação. Que escute seus pensamentos, identifique onde está sua atenção e suas inseguranças.

Faça perguntas para entender como está a cada momento. Por exemplo, enquanto conduzia a palestra sobre marca pessoal em Portugal, eu me questionava silenciosamente: como está o tempo da palestra? Será que estou no horário? Será que estou entrando demais no detalhe? Qual o próximo tópico do meu roteiro?

Autocompaixão

Nessa caminhada de desenvolvimento, nosso diálogo interno pode nos fortalecer ou nos fragilizar frente aos nossos erros. Pensamentos de autocompaixão auxiliam nossa aceitação e permitem que possamos evoluir apesar dos percalços da vida. Para sermos verdadeiros precisamos nos encarar, aceitar e acolher. 

Atenção plena

Mas como ouvir seus pensamentos? Como identificar seu estado interno? A resposta é simples (o que não significa que seja fácil): pratique a atenção plena.

Com técnicas de respiração, por exemplo, busque estar no momento presente. Seu pensamento se perdeu no que você fez ontem ou no que vai fazer amanhã? Traga-o de volta para o agora. Perceba como as emoções se manifestam no seu corpo. Onde estão suas mãos, como está sua expressão facial.

O exercício de voltar ao momento presente e colocar atenção no que está fazendo o ajudará a identificar seu estado e a melhorar a qualidade do diálogo interno. Está nervoso? Procure se acalmar direcionando seus pensamentos. Está confiante? Expresse isso intencionalmente com mais entusiasmo enquanto fala com as outras pessoas.

Credibilidade

Transmitir credibilidade é o objetivo mais importante em qualquer comunicação. E não se cria esse efeito somente com a fala, mas principalmente com a linguagem não verbal. Isto é, seus gestos, expressões, maneira de falar e outros aspectos que, em geral, acontecem de maneira inconsciente.

Não existe estado neutro. Sempre estamos nos comunicando. Mesmo ficar parado, em silêncio, durante uma reunião, está comunicando alguma coisa às outras pessoas.

Quanto mais leve estiver por dentro, mais ciente de suas forças e fragilidades e mais consciente do que está expressando, mais credibilidade tende a passar ao seu público. Menos fake você soará para quem o ouve, vê ou lê.

Estes são princípios que nunca se esgotam. Vamos desenvolvendo cada uma dessas habilidades à medida que as praticamos.

Por Eduardo Adas, sócio fundador da SOAP – Apresentações profissionais

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