Quanto vale um like mesmo?

Hoje, muitas pessoas e também empresas medem o sucesso de seus posts/ campanhas pelo número de likes recebidos. Se a foto bate a meta estipulada de curtidas, foi sucesso para o marketing de influência. Pega o cachorro da vizinha e a filha do amigo do namorado para tirar foto, animais e crianças engajam mais. Não foi suficiente?! Vamos comprar uns seguidores aqui e umas interações fantasmas no mercado negro para atingir a taxa de engajamento. Cada vez mais se valoriza a quantidade, em detrimento da qualidade da produção de conteúdo compartilhado, do assunto, do tema defendido. Nunca vi tanta foto sensual e sem contexto algum na minha vida, simplesmente pelo fato de imagens como estas “engajarem mais”.

O sucesso dos blogs de antigamente, com conteúdos especializados e apurados, mesmo de assuntos mais palatáveis como beleza e estilo, perdeu espaço para fotos e vídeos, muitas vezes, sem propósitos definidos. Vivemos a era do registro, do imediatismo e da falta de valorização do conteúdo. Próximo job, vamos!

Claro, não podemos generalizar. Há sim muitos influenciadores digitais que se preocupam em desenvolver conteúdo multimídia completo e integrado, com respaldo técnico, criativo, embasado em estudos, experiências e que verdadeiramente entregam valor com o seu trabalho. Não estranhamente, muitos deles são os perfis de maior destaque na atualidade, os mais seguidos ou admirados em seu nicho. Adaptaram-se aos novos canais e meios, mas se mantiveram firmes e fortes na produção de conteúdo de qualidade. Esses são os que sobreviverão à próxima onda das redes ou mídias sociais pela qual iremos passar.

Em sua última conferência de desenvolvedores, a F8, o Facebook afirmou que fará testes para esconder o número de curtidas que uma foto recebe no Instagram, e pode, até mesmo, deixar privado o número de seguidores de um perfil. Essa ação, de acordo com a empresa, visa conter a ansiedade e possíveis problemas psicológicos causados pela rede social, principalmente em adolescentes. Esses dados poderão ser acessados somente pelo dono de cada perfil.

E agora, como selecionar o influenciador que fará a próxima campanha?

Simples, escolhendo aquele que representa a marca ou produto, que faz sentido para o seu propósito, que verdadeiramente conversa e interage com o seu público-alvo, influenciando seu estilo de vida ou decisão de compra (dependendo do objetivo de sua campanha) e, assim, retroalimenta sua estratégia de comunicação ou Marketing Digital. Isso, independentemente dos números.

Antes de sair executando ações à deriva, as marcas devem, primeiro, analisar seu propósito, assumir um posicionamento, atrelado aos seus valores e objetivos de negócios. Investir tempo em encontrar sua comunidade. Então, a escolha daqueles que a representarão e estreitarão relacionamento com o seu target é consequência. De acordo com a Bia Granja, fundadora do YouPix, comunidade gera conversa e é a conversa que gera conversão.

Cocriando conteúdo

Ao assumir seu propósito, estabelecer uma conversa com seu target por meio dos influencers digitais, “entrar para jogo” como se diz na linguagem coloquial, se faz necessário às marcas manter o diálogo estabelecido. Não se constrói reputação, gera-se awareness ou qualquer tipo de conversão com uma única ação.

Se a marca não mantiver um diálogo com a comunidade com a qual se aproximou, vira paisagem no feed do influencer. Seu investimento não gera retorno no médio ou longo prazos, mais ou menos como os filmes publicitários de hidratante barato com celebridades do passado. Tá na cara que é publi!

E aqui há uma enorme oportunidade para o desenvolvimento de conteúdos em conjunto. Cocriação é a palavra da vez. A marca entra com informação e investimento, o influenciador, com conteúdo, linguagem e formato adequados ao público-alvo. A mistura está feita e o resultado tem tudo para ser positivo.

Youtube, Stories, Instagram, Twitter, blog, eventos, experiências. As ferramentas ou meios para se levar – e também receber – mensagens podem ser os mais variados. Isso dependerá do perfil de cada público. Mas, uma coisa é certa: planejamento, conteúdo de qualidade e perenidade nunca foram tão imprescindíveis à Comunicação de uma marca como serão a partir de agora.

MARIANA GERALDINE – GERENTE DE COMUNICAÇÃO DA ATITUDECOM

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